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Por Geraldo Elísio “Em economia é fácil explicar o passado. Mais fácil ainda é predizer o futuro. Difícil é entender o presente." - Joelmir Betting Bastou o Brasil, com a autorização da Organização Mundial do Comércio – OMC – organismo da ONU, autorizar o aumento sobre as tarifas de produtos importados dos Estados Unidos para o “Financial Times” estampar matéria temendo uma guerra comercial entre brasileiros e norte-americanos. Mas de Londres, informa a agência de notícias oficial da China “Xinhua”, que a Alemanha e a França planejam liderar uma iniciativa para reforçar a cooperação e a vigilância econômica da eurozona, incluindo a formação de um Fundo Monetário Europeu – FME. O objetivo principal da medida é evitar a recorrência de crises como a que afetam a Grécia. Os primeiros detalhes do plano que terá como base o próprio FMI foram revelados pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Shauble, que prometeu as propostas para um futuro próximo. Porém, os maiores impulsos neste sentido partem de Paris. A idéia nasceu quando o primeiro ministro grego Yorgos Papandreu visitou o presidente francês Nicolas Sarkozy para expor o seu drástico plano de austeridade de governo. Amadeu Altafai Tardio, porta-voz da Comissão Européia, disse em Bruxelas que a UE está pronta para implantar a medida, enquanto em Washington, Papandreu fez um apelo dramático para que a comunidade internacional “reduza o comércio especulativo” – smart money - acrescentando que atos desta natureza colocam em perigo não apenas a Grécia mas toda a economia global. Papandreu acusou os especuladores de jogar a Grécia em tal situação. Os fatos são bastante significativos. Onde estão as maravilhas do mundo globalizado e da economia de mercado? Qual a eficiência do FMI e suas receitas que penalizam os povos do mundo, beneficiando banqueiros cada vez mais afoitos e gulosos? Outro detalhe é que neste contexto parece haver uma união implícita de países contra o desperdício e, principalmente, contra a corrupção. Os episódios da UE ainda que não mencionem isto obviamente passam por Brasília, deixando de orelha em pé personalidades como José Roberto Arruda e José Sarney, citados como exemplos de corrupção pelo Departamento de Estado dos EUA. E além deles, corruptos de todas as partes do mundo, inclusive abrangendo a vasta gama de estados brasileiros. Afinal muitos brasileiros foram a favor do mundo globalizado e da economia de mercado, a maioria sem saber o que isto significa e, muitos deles, corruptos. Claro, as instituições de toda a natureza estão na mira dos caça-corruptos, o que deverá modificar alguma coisa. Brilhantismo Simplesmente brilhante e eficaz a matéria publicada hoje pelo jornalista Carlos Chagas em sua coluna da “Tribuna da Imprensa”, do mestre Hélio Fernandes, a respeito da malhação do PIG, como diz o Paulo Henrique Amorim, do site “Conversa Afiada”, a respeito da ferocidade com a qual os “jornalões” e mídias eletrônicas convencionais desancam o tamanho do Estado. Também sem saber das verdadeiras razões que isto encobre e que o Estado tem de ser acima de tudo forte e necessário para a regulamentação da justiça social, pois outro sistema ainda não foi implantado, sendo prescindível a questão de máximo ou mínimo que somente interessa a instituições financeiras ou outras nações que querem ser as mais fortes. Vamos ao texto de Chagas: “Quando sem assunto para suas crônicas, Eça de Queirós desancava o Bei de Tunis, acusando-o das maiores barbaridades. O problema é que o genial cronista jamais tinha ido a Tunis e nem sabia quem era o Bei, uma espécie de reizinho do Norte da África. Mais ou menos a mesma coisa acontece com os nossos jornalões e seus sucedâneos eletrônicos. Sem assunto, dedicam-se a criticar o Estado, no caso, o poder público. Acusam-no de gigantismo, de nomeações desvairadas, de intromissão na economia e, acima de tudo, de gastos monumentais. Por essas razões, sustentam, os juros andam na estratosfera e a carga fiscal brasileira é a maior do mundo. Querem a prevalência absoluta do mercado e da iniciativa privada, menos durante as crises econômicas, quando, então, o tesouro nacional deve socorrê-los… Seria bom acabar com a farsa. Porque se pregam economia nos gastos públicos, deveriam começar rejeitando e iniciando ampla campanha contra a publicidade oficial que beneficia seu faturamento. Fica difícil calcular quanto o governo federal, os governos estaduais e as prefeituras gastam, diretamente ou através de suas estatais, para promover-se e irrigar os cofres das empresas de comunicação. São centenas de milhões, se não forem bilhões. Há quem conclua ser a farra totalmente desnecessária, ainda que eivada de malícia. Se os governos anunciam a mais não poder, sempre sobrará um pouco de boa vontade da mídia diante de seus erros e suas mazelas. Todos os dias somos atropelados, nas telinhas e nas folhas, por imensa promoção da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e penduricalhos, sem que se identifique a menor vantagem empresarial ou comercial para essas instituições. Vantagem há, sim, para os veículos que absorvem criações publicitárias variadas. O motorista não irá abastecer seu carro num posto da Petrobrás porque o frentista, na televisão, faz gracinhas e firulas com os supostos fregueses. Nem o cidadão comum deve esperar crédito mais fácil porque o Banco do Brasil abriu mais uma agência no Casaquistão ou em Songa-Monga. Se é para reduzir o tamanho do estado, que se corte toda a publicidade oficial, exceção para alguns editais e balanços que a lei exige sejam publicados na imprensa diária. Quantas escolas, hospitais, postos de saúde e estradas recuperadas poderiam advir dessa gastança fantástica? Tome-se as recentes lambanças verificadas em Brasília. Seria cômico se não fosse trágico a gente assistir um noticiário até correto dos tele-jornais a respeito da roubalheira da quadrilha do governador José Roberto Arruda, mas, quando entram os intervalos comerciais, sermos surpreendidos com imagens de tratores abrindo ruas, operários construindo viadutos, criancinhas sorrindo, mães em exaltação ao governo do Distrito Federal e ridículos ainda maiores. Pensam que o povo é bobo…” E como perguntar não ofende, vamos lá: Em Minas, você deixará de usar água em sua casa, se a Copasa parar de anunciar? Igualmente você deixará de se utilizar da energia elétrica em sua residência, se a Cemig também parar de fazer publicidade? Você deixará de recorrer à Caixa Econômica Federal ou ao Banco do Brasil se igual medida for tomada? Reflita e quem quiser responda. O espaço é livre e democrático. Este espaço é permanentemente aberto ao democrático direito de resposta a todas as pessoas e instituições aqui citadas. |
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