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novojornal .: Editorial II Publicado em 05/03/2010

Editorial II: TERRA EM TRANSE
 

Por Geraldo Elísio

"Não basta a economia crescer. Com os avanços tecnológicos no mundo, muitas vezes uma empresa aumenta sua produtividade, sua rentabilidade e não gera um posto de trabalho." - Luís Inácio Lula da Silva

Instituições financeiras espanholas, assinala o jornal “El País” de sexta-feira (5), temem o avanço da crise em 2010, comentando que os sinais de recuperação evidenciados ao final de 2009 perdem força. O Banco da Espanha frisa que a oferta da produção industrial que havia suavizado “os recortes” diminuiu a sua melhora com a entrada de 2010. E o consumo privado está dando “sinais díspares” que não permitem confirmar esperanças positivas no que diz respeito às aposentadorias e pensões a partir de 2050. O assunto já começa a inquietar as autoridades do país.

O Banco da Espanha fala que é urgente haver maiores esforços no sentido de reabsorver estoques novos que estão comercialmente parados, de acordo com o presidente da instituição Miguel Ángel Fernández. Nas áreas dos bens de consumo durável e não duráveis houve retrocessos respectivamente de 21,8% e 2,7%. A venda de automóveis também retrocede.

A carga se volta contra os aposentados, pois entendem os financistas que por volta de 2050 os percentuais envolvendo a população acima de 65 anos serão superiores àquela com capacidade de produzir. Ou seja, o que foi produzido não conta, valendo apenas o lucro imediato que atende aos banqueiros. São as velhas, surradas e inócuas receitas do FMI que já começam a ser contestadas. O xenofobismo também não escapa e as imigrações são responsabilizadas pelos déficits que ocorrem. A questão do desemprego continua grave e não são encontradas soluções para a falta de mercado de trabalho.

Ainda no plano europeu, as inquietações persistem na Grécia e outra jornada de greve está programada, pois a maioria dos gregos não assimila as medidas econômicas adotadas pelo governo e os apelos do primeiro ministro Papandreu parecem ter caído no vazio. Principal economia da UE, a Alemanha já adiantou que não dará um centavo, segundo a Agência Reuters.

Persistem ainda os confrontos entre manifestantes e policiais, dando razão às informações das autoridades financeiras dos países mais desenvolvidos do mundo, quando do último Fórum Econômico de Davos, acentuando que o mundo se encontra perigosamente à beira de crises sociais que irão desaguar nas políticas. As crises sociais já começaram. As convocações foram feitas pelos maiores sindicatos e resultaram na agressão do chefe da confederação GSEE, Yannis Panagopoulos, enquanto ele pronunciava um discurso no Parlamento, em Atenas.

Tudo se torna possível quando o próprio primeiro ministro grego, Yorgos Papandreu, admite que as medidas adotadas para salvar o país podem “ser duras e possivelmente injustas”. Outra questão a ser vista é a estabilidade do euro, o que pode, num primeiro momento, afetar nações como a Alemanha, Franca e Holanda. Principalmente os gregos não concordam com os rebaixamentos de seus salários. Uma pesquisa mostra que 62% da população acredita que as medidas impostas pelo FMI e outras instituições internacionais agravarão a questão social. E no plano dos investimentos públicos haverá uma redução maciça de investimentos.

Fórmulas envelhecidas

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, continua em seu giro por países da América do Sul e do Caribe a afirmar que o seu país procura manter as melhores relações com as nações ao sul do Equador. Porém, a política desenvolvida por ela pouco difere do “big stick”, usado várias décadas inclusive para financiar golpes de Estado em países sul-americanos, como o Brasil com a “Operação Brother Sam”, em 1964.

Hillary assegura que o seu país deseja a manutenção da democracia em todo o continente, o que de resto todo o mundo quer, mas fugiu a uma resposta mais clara quanto aos propósitos do EUA de dividirem as posições latino-americanas a partir da Venezuela. Tampouco abordou os interesses colonialistas de Washington e a cobiça sobre as riquezas naturais de outros países.

Em San José da Costa Rica, segundo a Agência de Notícias Chinesa Xinhua, a secretária de Estado norte-americana disse ter comentado com Lula a respeito do Programa Nuclear do Irã. Para quem fala tanto em democracia, não soa bem intervir na autodeterminação dos povos. O Brasil é um País soberano e nunca o chanceler Celso Amorim ou outro qualquer do Itamaraty se deslocou a Washington para questionar quais as posições os EUA devem ou não tomar nas suas relações com outros países do mundo.

Lula, com razão, disse que só deve explicações ao povo brasileiro, Hillary entretanto comentou que ele prometeu tentar fazer o Irã desistir de possuir armas nucleares. O que isto significa? Um jogo para o público interno e outro para o público externo? O Itamaraty e Lula precisam se explicar. A personagem é mais nova, mas a história é a mesma de sempre, embora hoje exista uma conjuntura um pouco diferente no reino dos “cucarachas”.

Este espaço é permanentemente aberto ao democrático direito de resposta a todas as pessoas e instituições aqui citadas.

geraldo.elisio@novojornal.com


A velha política do "Big Stick"

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