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| General Heleno Augusto participou nessa quarta-feira, na capital mineira, do Congresso Brasileiro de Defesa Nacional e Segurança Pública | ||||||||||||
Por Geraldo Elísio - Repórter O general Heleno Augusto, ex-comandante das tropas brasileiras em missão no Haiti e ex-comandante militar da Amazônia, disse na noite de quarta-feira (10), em Belo Horizonte, que os soldados de selva do Brasil são a força mais preparada do mundo nesta área, destacando a participação dos indígenas na defesa brasileira. Questionado pelo Novojornal sobre o que adianta possuirmos expressiva tropa de selva, se por outro lado maus brasileiros se dispõem a “vender” o território nacional, submeter-se aos interesses internacionais e até mesmo doar nossas riquezas, respondeu o militar: General Heleno Augusto – Nós não podemos raciocinar como aqueles que estão dentro de um padrão mínimo de conduta patriótica. Temos que manter a mística do combatente de selva. Reconhecidamente temos os melhores do mundo, desde o trabalho iniciado com o Centro de Instrução de Guerra na Selva – CIG. Nós aprendemos muito, sobretudo, com os indígenas, que se orgulham de participar do Exército Nacional. A Amazônia ainda é muito bem protegida, ainda que ao longo do tempo as Forças Armadas brasileiras tenham sofrido sérias restrições de ordem orçamentária. Temos combatentes altamente preparados, homens e mulheres com plena consciência no que diz respeito à defesa da Amazônia. Temos a capacidade de manter a integridade territorial e a soberania da área mais importante do território brasileiro. Novojornal – O mundo não deveria ter armas nucleares. Mas um seleto grupo de países dispõe de armas atômicas. Por que o Brasil não pode desenvolver estas armas? General Heleno Augusto – É difícil para mim, general da ativa e existindo uma postura do governo brasileiro, contestar esta posição. Mas aqueles que defendem o Brasil possuir artefatos nucleares argumenta que é uma forma de discutirmos de igual para igual com quem dispõe de tais arsenais. E alegam que a assinatura pelo Brasil do tratado de não proliferação não foi correspondida com a redução dos arsenais atômicos no resto do mundo. Algumas dizem que estes silos aumentaram, quando a ideia do tratado era a de que houvesse a redução e, com o tempo até a eliminação. Como isto não acontece, há argumentos que nos levam a pensar sobre o assunto. Agora, tomar uma posição verdadeiramente clara contra a posição do governo brasileiro, para um general da ativa é difícil. Novojornal - O presidente norte-americano Charles Buchanan assumiu a Teoria do Destino Manifesto, utilizada durante as Guerras Índias, na conquista do west, e que prega que aquele país tem a destinação de liderar outros povos. Esta teoria hoje respalda transformar a Amazônia num grande “jardim botânico”. Isto é cobiça sobre as riquezas brasileiras? General Heleno Augusto – A cobiça internacional é inegável e histórica. Um País como o Brasil, dono de vasta riqueza natural e principalmente estratégica, fatalmente é alvo da cobiça internacional. Agora, chegar a ações que possam nos lesar quanto ao que dispomos como reserva isto é outro problema. Há muitas ONGs, não todas, pois existem instituições que fazem um trabalho respeitável, que se valem da ausência de governo para se utilizar de artifícios e colocar por trás de objetivos que parecem humanitários e construtivos, interesses escusos. Então nós temos de ter cuidado com a proliferação destas ONGs. Sobretudo quando se aproximam de pontos indígenas, de quilombolas, porque logicamente se valem de populações supostamente lesadas ao longo do tempo e que se intitulam donas de determinados direitos. Estas organizações, agindo por trás de tais grupos, terminam por causar problemas à sociedade brasileira. Novojornal – As Forças Armadas Brasileiras, como um todo, estão conscientes da necessidade desta defesa? Estamos aptos a exercê-la? O povo está apto a ser mobilizado em caso de necessidade? General Heleno Augusto – Esta mobilização sempre é um problema muito sério em todos os países do mundo. Mobilização estratégica, mobilização de pessoal só acontece quando a sociedade se convence de que aquilo é necessário. Então teria de haver uma situação concreta. Quanto à nossa capacidade de defesa, o que temos pleiteado há algum tempo é que tenhamos Forças Armadas a altura da nossa estatura estratégica. Ou seja, a medida que o Brasil vem assumindo posições e crescendo no cenário internacional, vai deixando de ser potência emergente para ser potência real no cenário mundial. Nós fatalmente teremos que possuir Forças Armadas a altura desta capacidade de projeção de Poder. Se não tivermos isto, estaremos totalmente desprotegidos. Isto nós temos pleiteado e mostrado à sociedade brasileira. O general Heleno Augusto veio a Belo Horizonte participar do Congresso Brasileiro de Defesa Nacional e Segurança Pública, promovido pela Associação Brasileira de Tiro Defensivo e Centro Acadêmico Afonso Pena, da Escola de Direito da Universidade de Minas Gerais, cabendo a organização ao presidente do CNTD, Sérgio Bittencourt e ao secretário geral do CAAP, acadêmico Levindo Ramos. O objetivo do CAAP é aproximar o meio universitário dos grandes temas nacionais, razão pela qual a palestra do general Heleno Augusto se voltou para as importantes funções que o Exército Brasileiro desenvolve na reconstrução do Haiti, com experiência práticas que fundamentadas no respeito aos direitos humanos têm sido úteis no contexto nacional. |
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