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novojornal .: Política .: Notícia Publicado em 11/03/2010 às 17:21:13

Advogados de Arruda denunciam "abuso de poder" da PF
Defensores reclamam da falta de privacidade para conversar com Arruda. PF afirma cumprir as regras para dar segurança e preservar governador

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Alegando falta de privacidade, os advogados do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), decidiram nesta quinta-feira (11) acionar o delegado Marcos Ferreira, por abuso de poder.

Responsável pela defesa de Arruda, Nélio Machado deixou a Superintendência da Polícia Federal no começo da tarde desta quinta reclamando da conduta dos agentes da PF. “Estou me retirando sobre protesto da PF porque estou impedido de falar com o meu cliente de forma pessoal e reservada. É um abuso de poder do delegado, estou indo ao Conselho Federal da OAB dar conhecimento deste fato e, por petição, farei chegar ao presidente do STJ e STF o tratamento abusivo, ilegal e inconstitucional que estão deferindo ao governador Arruda."

Em resposta às declarações dos advogados, a assessoria da PF afirmou que os defensores tinham direito de reclamar, porque o país é uma democracia, mas garantiu que os procedimentos adotados com Arruda são para garantir a segurança e preservar os limites da condição de prisão.

Nélio Machado disse que irá protocolar ainda nesta quinta uma representação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal Federal (STJ) comunicando o tratamento dispensado pela PF ao governador e a seus advogados. A suposta ação abusiva da PF também vai ser comunicada em reclamação ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Nélio disse que o delegado havia concordado em deixar a porta da sala de Arruda encostada enquanto estivesse com os defensores. “Mas hoje eu encostei a porta e veio o delegado com cara de mau. Não tenho medo de cara de mau, nem de ilegalidade e abuso de poder”, afirmou o advogado.

Depois de conseguir na terça-feira (9) autorização para que um médico particular avaliasse o estado de saúde de José Roberto Arruda, os advogados de defesa aguardam agora a manifestação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para outro pedido, desta vez de aumento da privacidade de Arruda no cárcere.

No documento, os advogados pedem ao STJ três medidas que, na visão deles, iriam ampliar a privacidade de Arruda: possibilidade de fechar a porta da sala durante a conversa com advogados e não ter limite de tempo nem hora marcada para conversar com seus defensores.

A solicitação dos defensores de Arruda foi enviada à Procuradoria Geral da República (PGR) para parecer. Só depois da manifestação do Ministério Público é que Fernando Gonçalves - que preside o inquérito do mensalão do DEM de Brasília no STJ - deve decidir, o que pode ocorrer ainda nesta semana.

“Arruda está em permanente estado de vigília, irritadiço”, diz o texto encaminhado pelos advogados ao STJ. “Não bastasse as agruras do encarceramento, Arruda sofre arbitrariedades como o fato de ter de pedir autorização para os carcereiros para fazer suas necessidades fisiológicas e até para escovar os dentes”. Os advogados descrevem ainda episódio em que teriam sido expulsos da sala onde se reuniam com Arruda em razão do avançar do horário: eram 22h.

Arruda está preso desde 11 de fevereiro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por força de decisão do STJ, depois de supostamente tentar subornar uma testemunha do inquérito do mensalão do DEM de Brasília, o jornalista Edmilson Edson do Santos, o Sombra. As informações são da Rede Globo.
 

 

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